Vou mudar um pouco o rumo da nossa conversa. No mês de fevereiro, nos Estados Unidos, mais exatamente no estado da Flórida, o jovem Trayvon Martin, um African American (Afro-Americano), de 17 anos, que estava usando um "hoodie", uma espécie de casaco com capuz, muito comum entre os jovens, estudantes, atletas e etc (na foto: Muhammad Ali usando um Hoodie em protesto contra o assassinato do jovem), foi assassinado por um "guarda voluntário" que o acusou de "atitude suspeita". A lei da Flórida, ou melhor a política de segurança da Flórida e de outros vinte estados americanos, chamada "Stand your Ground" (algo como: "defenda o seu território/bairro/lugar), autoriza o uso da força "letal" em caso de defesa pessoal.
O Hoodie/capuz é socialmente percebido como um tipo de roupa que compõem o esteriótipo do "negro marginal", no caso estadunidense. É a velha dinâmica cruel da discriminação. Esse crime racial está deflagrando protestos em todo mundo.
Temos dois links relacionados a esse debate. O Primeiro deles é um resumo das notícias veiculadas pelo jornal Washington Post nos últimos dias, inclusive um bom editorial que faz uma crítica à política do "Stand your Ground Law"; O segundo traz uma pesquisa interessante sobre o sentidos da mestiçagem nos Estados Unidos, uma série de reportagens publicada no jornal The New York Times.
Quando falamos em "relações raciais" no Brasil temos tradicionalmente o caso estadunidense como ponto de comparação. Isso quer dizer, entre outras coisas, que seria bom estar com o olhar apurado para questões centrais envolvendo os debates acerca do tema que ocorre lá e cá.
Vamos seguir atentos. O racismo está aí e funciona como uma máquina muito eficiente extermínio.
http://topics.nytimes.com/top/news/us/series/race_remixed/index.html?ref=us

